domingo, 5 de outubro de 2008

el amor que se emana, a la luz se hermana

Habría lo que escribir, habrían palabras y hechos.
Empero la vida ha traído el tiempo de otras cantigas,
De silencio y repecho

Ahora me toca el dolor y aún más el respeto,
Por los dolores de mis queridos, más grandes
Que el mío que traigo en el pecho

Mis manos los tocan al aire
Al aire, mis sentimientos echo


{a su memoria y aliento. si el cariño tangible a los míos, la distancia se me niega darles, mi abrazo hace forma aquí, aunque el tacto fuera, ahora, inmensurablemente ineludible}

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

vão adentro, vão as pernas

As pernas, bambas. A luz da primavera, das sete horas, âmbar. Eu volto em caminhadas densas. Eu tenho a garganta tensa, trêmula, gastada. Vem Bethania e me arrasa. Arranca os sentimentos enquanto ando. Enquanto acotovelo a felicidade coletiva que passa ao meu lado, eu distante. Nada mais triste que estar em meio a tantos sorrisos quando todas as dores vão adentro. Vai-se fora.

E, então, o anteparo é vão; e o chão, ausente.

domingo, 21 de setembro de 2008

não é uma referência a Augé

A cama recebe o corpo cansado. Cansados, deitamos. Adormecemos, a modo de equalizar as partes há muito adormecidas. A cama é lar, assim também estamos em casa. Erudita a cama, mais uma ficção. A última do dia; para relaxar as pálpebras, até que façam dos olhos pele. Estranhos sonhos extraños. E entranhados nas veias entorpecidas dos sonos guardados. Dos sonos rejeitados, tomados, dormidos pelos dias... Camas aladas: onde levam as mentes esgotadas e exauridas? Dorme-se. Sonha-se. perde-se a referência, que há muito se perdeu. A cama atende com generosidade o ofício de portal. Transfere e ressucita. Aquece: ainda as madrugadas estão geladas. Ainda as madrugadas liberam monstros, xuxas e pernas cabeludas. Útero, a cama; abraça, alimenta, conforta, conforma, abriga. Afasta o mal, por todo o perímetro do lençol. Fosso medieval, entre o castelo-colchão e a escuridão, nenhum mal adentrará. De modo que é também duro sair. Duro voltar, tarde que atina o sol, para o lugar que não é. E que não há.
...
Sensação caverna do dragão: não estamos. Não estamos em lugar nenhum, não estamos. Não somos. Seguimos. In-to-xi-ca-ção. Porque nada é natural, para nossos corpos já construidos. Tudo é posterior à formação de nossa envergadura; carnadura e pensar. É arificial porque não nos concerne. Os venenos sao outros. Expressamo-nos, a conforme, a modo de compreensão. Tragamos o que há nesse mundo, ainda que não seja o mesmo mundo que há aqui dentro. Aqui dentro há moléculas marinhas latentes, atrofiadas, carentes. Nunca houve aqui dentro tanto frio, porque aqui dentro, o mundo é tropical. Somos tropicais por singeleza, por compleição, educação e consistência. Ainda que o homem possa adaptar-se; essa adequação é sempre anti-natural para o seu ser. Aqui há uma necessidade comovente de reinstauração. Uma súplica sanguínea, de existência. Que se abram as Portas da Esperança e – ainda que venha junto o Silvio Santos – nos trague esse mundo natural. Antes que a falta de mamão nos abale irreversivelmente o juízo e as melaninas moribundas recorram a eutanásia. Quebrados que foram todos os espelhos.
...
Lost: o acidente é interno. O exilado é antes de tudo um náufrago.


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[ensaio fotográfico pelo centro de Córdoba, por Júlio Paiva]

à propósito, a primavera (! ) oficialmente, a partir de hoje - 21 de Setembro - está autorizado o uso de bermudas e estampas; a condição climática não mudou de um dia a outro, mas, ao que parece, a permissão social é o que manifesta a estação. Filha da dualidade climática -sol e chuva - não tenho autoridade primaveral, mas reparar é a atividade a que - cientificamente - me dedico no momento.

domingo, 14 de setembro de 2008

la consigna es ir

[bein-bein] tocavam os despertadores e os sinos, antes do celular. [bein-bein] ir, eu vou; contra o corpo, contra-prazer, contra-amanhecer, ir, ir. ir: mais que deslocar-se, estar. ¡hola!¿ que tal? ¡bien, bien! mais que estar, ser. ¡hola!¿ que tal? o rosto está sorriso; toda expressão, juízo. ¡bien, bien! de segunda a sábado, [bein-bein] todos os músculos em movimento, estar parado é estar atento: on-off, baby, [bein-bein] get Geertz, get all. ¡hola!¿ que tal? ¡Bien, bien! no último dia, pingar o "i", seis horas sabatinas de get all, baby, get all. [bein-bein], pelas dúvidas, ir, ser e estar. e, pelas dúvidas, mudar sempre o toque de despertar; embora um dia todos tenhamos adquido imprevistas seqüelas do anti-natural zumbindo pelo ouvido.
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vou; desconsertando a estrutura desse caos interno estabelecido. vou a tranco, com mais esforço que acostumaram-se os braços. vou a passos, posto que vou a pé. posto que vou a cabo, a duro, a fundo, a custo. mas vou, como os contos metafóricos, narrados para a felicidade não ser esquecida no coração dos pequenos. vou preferindo alguma fé laica. vou, porque “Lúcia já vou indo” foi – quem se lembrará dessa história que se alojou na minha mente tao categoricamente – ela foi. ir, por ir, vamos todos. ir no tempo, já alguns. porque “Lúcia já vou indo” foi, isso é certo. mas chegou, digamos, quando já sua presença não significava. a presença: essa é a consigna do ir. a finalidade exata.

I ato
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o rosto é posto para a atenção; o posto está no encosto da cadeira.

II ato
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o rosto é posto para a expressão; o posto é um gosto adormecido e resguardado, duas vezes justificado. o posto é ponte e ponto ou tres pontos de deriva.

III ato
Photobucket o rosto é posto para a atuação; o posto é o próprio rosto. postarás e portarás. perfume e gentilezas - get pernas enquanto as cruza sob a mesa.

[fotos Júlio Paiva - estudo acadêmico, para Spilimbergo]

domingo, 7 de setembro de 2008

interdependência ou morte

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minha pátria de saudade é perfeita: enfim BENVILIA! amada idolatrada, salve, salve. [que sejam desconsideradas todas as xaropices usuais; aquele texto no jornal dos 12 anos (?) ] indiferentes os ouvidos e qualquer gol em contrário. nem abala, nem conforma. me deixo pela passionalidade. arroz, feijao, farofa, banana ; do que se depende a vida, cadeia alimentar. um dia fincaremos os dentes na picanha.

interdependência. (ou morte)

(...) é que hoje bastam o verde e o amarelo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

entre-rosas

A margarida acordou naquele jardim de Malvilla-del-oeste. E lembrou-se de onde estava. Foi pelo cheiro e pelo entre-rosas. Lembrou que já não vivia em Benvilla-del-este tampouco em Malvilla-del-este, Benvilia do leste, Malvilia do Leste, muito menos. Ali estava. O perfume das rosas a fez lembrar seu olor matinal de Margarida, à fatalidade e delícia de seu próprio ser. Essa compleição híbrida dos trópicos; contraditória da delicadeza e da força. Do diferente. Única no jardim, gritava existência. Suas pétalas falhavam em palidez diante do mar escalate de pétalas-alteridade. Interação face-to-face flor-a-flor, no mínimo um conflito de fragrâncias. Não desejava ter tingido o fenótipo óbvio de sua espécie, a modo mais assimilável. Desejava um acordo explícito, de aceitação e convivência: suas raízes alimentavam-se daquela água. Desejava entender e ser entendida, não por conveniência, mas por definição. [Gof...] Esses símbolos invisíveis entre-rosas, de toda uma tradição secular. Pois bem, já se via um verde amarelado em suas folhas, elas que outrora foram tão verde-bandeira. O tempo? Diante da certeza do não-vermelho de seus tons e da imutabilidade dessa condição, penetrava prudentemente. Batia por dentro aquela tensão; as rosas falavam em rubro, balançavam-se como rosas, rosas que eram. Ela, Margarida, andava débil, refazendo-se de sais os quais não reconheciam suas raízes. A maior parte do tempo sobrevivia, ainda que estampasse uma cor a mais na composição. Buquê exótico, fetiche, o branco do vermelho. Interação pétala-a-pétala. Sorria: amáveis e adversas companheiras de canteiro. Sentia, contudo, uma inevitável solidão.

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sábado, 23 de agosto de 2008

pump-it-up

se as moléculas foram feitas de um todo: refiro-me aos sentidos de existência. volto, venho do campus vazio de uma manhã de sábado; vazio: teorias econômicas impregnadas pelo castelhano apressado, incoerentes de sábado, inordenáveis. volto, irritadiça, contrariada, esse sem sentido do sentido de existência. pump-it-up; anos 90 pelas figuras que me cruzam, moda de meninas do novo milênio, que, entanto, jamais coreografaram aquela seqüência enfileirada de autênticos produtos noventosos. coletinhos e ampulhetas: um salto e um giro – yeah, one, two, three, four, yeah – a trunfa, indefectível. volto, as calçadas rolantes do outro século que não aquele estruturante e estruturado do pump-it-up. volto, já não há mais possibilidade de captura, penso, despenso – e despenso mais conhecimentos por ora. já se faz tarde para um desligamento saudável de fim-de-semana. volto e volto nos dedos a lâmina; num gesto invalorável, empuxo do dia-zenital arruinado. rasgo a película da esquerda para direita, na frente imediata. rola a calçada automática, rola o passo, rola a disposição, rola toda irrealidade pela esquina. estúpidos significados de existência: volto a indigerir os toques humanos. volto e o sol ainda não se anima. quanto mais se avança o passo, mais é incrédulo o olho para o mundo.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

...

palavras brancas em guardanapos;
[brancos]
desacredito, olho nos olhos do mundo
palavras alabastrinas,
cursi
tudo está demasiado cursi
tudo está demasiado

domingo, 10 de agosto de 2008

into the wild

NÃO! - há profundidades irreversíveis - não se trague
(...)


se visite, no más
se abandone antes
antes que cheguem os urubus

pendure algo pelo caminho; a modo de reencontrar-se depois

(...)


sempre que abro a janela, encontro a alexander.

domingo, 3 de agosto de 2008

pluripolar

[Es que] Seria, então, uma fase verde? Não chegava à antipatia, mas confesso, conservava uma certa indiferença à cor. O que seria do verde sem a indesejada companhia de um azul-lugar-comum? Nada como a intolerância mantida por anos ao roxo; ando revertendo opções estéticas. Para dar uma trégua ao vermelho –meu tanto a tanto de fascinação – ando um pouco obcecada pelo verde, talvez a seguir o processo de tudo, do balde cheio que me concerne. Cortina verde, blog verde, caderno verde, açucareiro verde; a bandeira do meu país! Nunca fui desses tons, pero bueno; já se passa de uma suposta pluripolaridade. Fastio de gente, ainda. Silêncio: depois dos gritos a garganta ainda arranha, os ouvidos ainda repetem o bum-bum das multidões. [es que] esses abstratos já não explicam – como faz falta o olho a olho e aquele olho de thundera– minha comunicação corporal é imprescindível. Mas é tempo de cerco, reclusão: os loucos devem temer a revelação, a custo de manter sua loucura intacta. Nada mais triste que uma loucura perdida ou artificializada – bioplastia cerebral – a modo de ajuste social. O pulso pulsado pelo bum-bum do mundo: ai dessa orquestra quando meu tambor e dos meus invadirmos a sifonia. Porque alguém há de manter esse tom desafinado. Meticulosamente desafinado.
...
[a próposito, ainda salpicam os temperamentos de Margot: algumas estranhas coincidências de ser. Do filme, Margot y la boda - versão em castelhano.]