quarta-feira, 20 de julho de 2011

obras escolhidas; trânsitos e estranhos transes


Ai, meu coração revirado. Dias no Brasil, motivos vários, abraços de variadas profundidades e espécies. Puestas en escena, teatros, roteiros, textos, cenários, brindes, frases, tons. Vi algumas lutas de encaixes, acordos para pertencer, os preços por um lugar aflito, por estar, de outros em outros lares não deles. Mas vi, de outra sorte, apelos comovidos, olhares reais. Senti apertos, desconsertos, gritos. Em mim, um lábaro, um poço, um fosso de guardados, semi-expostos sociais, alguns reais perdidos, alguns pesos despidos, calor maior parte das vezes. Um frio reiterado em certas ocasiões, em gestos raros, em fartos goles, em inacabados códigos, não tão identificados. Um pó de vida ou dois; éramos duas entre multidões, e nem mesmo dupla, um + um, escalas de dimensões dinâmicas, em trânsito e em transes. Inesperados carinhos, encontros, desencontros: vi meu tempo só, meu tempero na minha língua, meu tato em meus ombros cansados, alguns arranhões cobertos. Eu vi um canto de vertigens, de gentes e estéticas, vitrines; essa guerra não travaria, entre contos e cantos traiçoeiros, mais vale uma estranha letra em ouvidos solitários; mais látegos, menos cotovelos. Menos aspirantes ou concorrentes, talvez prefira ameaças não tão reluzentes e minhas dores mais minhas. De fato, na pele tocaram poucos, meus sentidos a níveis loucos, à camada do coração apenas uns. Uns que na mala deram gemidos, por excesso e sobrepeso temido, de tanto absorvido, assimilado. Trago comigo certos contidos, afagos, perplexidades e pensamentos indefinidos, palavras soltas, fios descascados e cafés. Bom sentir-se amada e entre queridos, em todo caso, essa brasileiríssima saudade. Depois, perdida demais para voltar, encontrar as mesmas portas trancadas, o mesmo frio da madrugada, o mesmo não por destelhar. Enfim, em uma semana, um ano novo meu, uma nova unidade nos números, algarismos nos tempos, dígitos nos zelos. Mais difícil encontrar razão com o espírito assim de quente, notas que voam pelas redes sociais ausentes, presentes meus acidentes verbais. Massificadas as tecnologias, quase passo dias sem horas e meios, em contrastes de regalias, recursos e freios. Aos uns tocados pelos afins, o beijo derradeiro envio por fim, pelo vento, perfumes, bocados. Ainda que os choros persistam, os risos salvam, as tolerâncias conservam, os amores resgatam. Esses uns sabem-se assim. Bom sentir-se “nós”, dias que sejam, afinal de contas.

domingo, 12 de junho de 2011

Uma pétala de coentro, entre o palato e a língua

Tem-se cultivado com as pétalas caídas [auto-agricultura íntima]. Contidas apenas em brado; a estação é de reserva, cisternas, resguardo. Chovem outras chuvas, os córregos abaloam as durezas, resultam seixos rolados. Sínteses, entanto, áspero, às vezes, ácido, então, vazios. As asperezas do necessário [fazer o que há de ser feito], os passos que não sejam aflitos; querentes, não desesperados; antes de fome, não de miséria, as pétalas são apenas vestígios. Amareladas as pontas das pétalas, a terra ainda é pobre, a guerra ainda é hoje, o sangue, ainda corre. Ainda dentro. Circula, ainda assim, embora se creia frio, [¡es que no!] arde ainda, avermelha-se fogo, o azul quase finda. Azul dos sentidos comuns, segue morrendo e nascendo pétala, otimizado o aproveitamento, essa coisa auto-suficiente, auto-existente, auto-exigente, auto-ecossistema e ínfimo, my time, my lord, it´s a long way. São asas caídas essas pétalas-adubo, pouco coloridas, íntimas, rascunhos; pétalas excremento, de força mais que beleza. As forcas evitam-se, bem como os látegos. O pescoço ainda lamenta um colar de marcas, asfixias, querelas. Pérolas nos lóbulos e nas entranhas, são delas, são elas: pétalas auto-combustíveis. Nos ombros restam manchas estranhas, da intriga de um a um. De si a si. De peito a peito. Do gineceu, aquietam-se os pareceres, no fim são menos juízos, dizeres... e menos torpezas, então menos armadilhas, my time, my lord, my sense; mi tiempo se desmenuza negro y perfumado en el colador: dias alternos de café colombiano. De outra sorte, são dias não tão alternos, my time, my sense, my world. Tem-se cultivado tantas coisas e tantos lábaros, oh baby já se evita pensar nas saudades – inclusive as mais abstratas e estranhas, inclusive de amados íntimos desconhecidos. Não me venhas com mambos. Por dentro há poços mais profundos que meus olhos, mais sangrados que meu payot escarlate. Que não sejam duros os olhares [entretanto], entre tantos sacrifícios. O sangue que permaneça por dentro. As pétalas que alimentem esse peito ruminante, so hot, so live, so red. Ainda que todo esse silêncio seja apenas um desalentado grito [sejamos tolerantes ao lugar-comum, no fim os clichês foram um dia vividos]. My time, my space, meu labirinto;;; essa retórica de variáveis.

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Uma pétala de coentro para muitos dias, entre o palato e a língua, minuciosamente saboreado.



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[foto: Júlio Paiva]