{imagem apropriada do blogpapel de enrolar prego; foto: júlio paiva}
Ela disse, embora eu só tenha tomado conhecimento muitos dias depois: estava num portal, num tubo transitório – e ainda estou. Como sei que nenhuma palavra faria justiça às profundezas escavadas em mim, meu amor agradecido vai pela tão falada telepatia.
Em todo caso, agradeço os afagos, comparto as saudades; contradom meu carinho.
Digo: veio a mim como um flash de todos os nossos abraços.
"Dai-me a mão, querida
Para que sobre ela eu possa cravar o beijo da minha amizade.
O olho de última Já se foi o camarão pela corrente - Um desavisado resistente - Distraídas [idas idas idas idasssss] Já tenho adiante uma porta aberta Já tenho comigo um coração que aperta Batidas
Um silêncio de tanto tempo pode ser mortal Afaga à faca meus olhos Por um beijo lacrimal O lugar é um desesperado infectar de instantes Trajes infantes colocados a perder Um momento fora o bastante, embora anseie repetir o antes O que foi morreu em ser Um hiato de tanto tempo pode formar duas palavras Quando parte em duas toadas desiguais As ruínas ardem por um reencontro delirante O gosto escapa torturante Inútil a busca espacial
Um silêncio fumegante; Um silêncio de tanto tempo pode ser fatal
Cantarolava algumas estrofes delirantes, enquanto o sábado capitulava minha volta da aula. Meio funk, meio algo; eu dizia a quem passava, sem sentido, ou bem sentido, nada sério, mas com toda seriedade.
funk da estranha (mais uma criaçao ou invenção ou desatino de Rita)
Está entre as más / Porque gosta de ser / Odeia as boazinhas / Que fingem lhe querer Porque é uma farsa / É uma ficção / Esse bom tratamento / É uma convenção Palavras educadas / Palavras como ‘dom’ / Palavras expressadas/ Obrigam ‘contra-dom’ Parece espontâneo / Parece natural / Mas tudo é coordenado / Para passar igual Meninas bonitinhas / Usando o usual / Meninas boazinhas / Escondem bem seu mal Hécate Hécate / Hécate Hécate Tum tum tum tum tum Vai sorriso / Vai abraço / Vai beijinho / Vai pedaço (bis)
Refrão: menina estranha / difícil de entender / gosta de confundir / quem tenta lhe prever menina malvada/ porque gosta de ser / desconsertar o jogo / desconcertar você (bis) Vai estranha / Vai malvada / Vai distante / Vai calada (bis x7)
referência bibliográfica
YUDICE, George. 2002. “La funkización de Río” in El recurso de la Cultura. Barcelona: Gedisa. Pág. 137- 166 y 235-260. MAUSS, Marcel. 1991 [1923-24]: “Ensayo sobre el don” in Sociología y Antropología. Ed. Tecnos, Madrid.
É dinâmico, esporádico, me passa, me escapa: os tais códigos sociais! Os tais choques cerebrais: tenho engrenado demasiado todos os raciocínios lógicos brasileiros, lógicos estrangeiros, lógicos argentinos e (...) PERSÉPOLIS! deslumbrada e pérsica: tão Marjane, trago Tigre e Eufrates; trago os limites, todos de existência, todos de ciências – políticas, antropológicas, sociológicas, históricas, geográficas! Lá estava 1979; sha caindo, todos os conflitos étnicos do mundo e eu... nascendo! Eu, os carneiros astrais e a República Islamica do Irã! Lanço-me pelo espaço social e físico, nada contém o dragão; trago tudo pela garganta, e não cuspo. Um dia vai-me em fogo pela boca, a cabeça já esquenta. Fun-din-do. De tanto pensar morre uma galinha, explode, e não voa, cisca e gora o ovo. Para o bom pensar é bom um doce: óleo para todas as estruturas, combustível para impulsos cerebrais! Ativar: forma de computador de gelo! Que queimem os dedos pelo toque frio das teclas. Ou que voem, voem; um salto ao menos mais que a mulher do galo. De pensar morre uma galinha, mas também ao passar por cima o fitito clássico maravilhoso. Quando atravessava a rua distraída.
...
Um dia, ali, pelo Irã. MAKTUB! Está escrito. Mas que se atente ao histórico local e às etnografias; o Irã não é um país árabe.
É o espiral contínuo, da minha sina espiralada. Espiral torbellino, espiral fio de telefone. Vertical, horizontal, diagonal - é o ciclo espiralado, esse padrão de ser; a alegria e a amargura em uma mesma fração de tempo. Oscilo, canso desse eterno contínuo descontínuo. E, é inútil fugir, está – ademais do juízo – em todas as partes. Está no percurso do pirocóptero, no fluxo da água pelo ralo, nos cabelos da Ceiça, no fusili, no movimento da poeira na calçada, na fita da ginasta. É espiral o que falta nos meus apuntes, más há no meu caderno; no caminho da agulha da radiola deixada em Fortaleza, no pirulito colorido deixado na infância. Um furo pode causar um espiral, essa é uma boa razão para se ter escapes! É o símbolo exato da confusão, da tontura, do desmaio... Um pouco de Persépolis, um pouco de Bordieu. Desvios, do meu leve estrabismo, da minha leve escoliose, do meu leve desalinho de costelas. Desvio, porque não é reincidente perfeito, posto que ainda que o eixo seja fixo, há um ligeiro deslocamento de trajetória, a variáveis. A incertezas. Incertitumbres... Uma mola por uma pausa! Pois os dias se vão a espirais!
Esse, definitivamente, é o relato de quem não tem segunda-feira, mas também não tem sábado, nem domingo. Está num eterno contínuo descontínuo de uma, digamos, quarta-feira. No meio da mola, no meio do indo, eterno meio da semana, ¡que miércoles! Assim se lança à rua o eufemismo de uma velha expressão. Um respiro permitido. De escape. E de sapatos.
Habría lo que escribir, habrían palabras y hechos.
Empero la vida ha traído el tiempo de otras cantigas,
De silencio y repecho
Ahora me toca el dolor y aún más el respeto,
Por los dolores de mis queridos, más grandes
Que el mío que traigo en el pecho
Mis manos los tocan al aire
Al aire, mis sentimientos echo
{a su memoria y aliento. si el cariño tangible a los míos, la distancia se me niega darles, mi abrazo hace forma aquí, aunque el tacto fuera, ahora, inmensurablemente ineludible}
As pernas, bambas. A luz da primavera, das sete horas, âmbar. Eu volto em caminhadas densas. Eu tenho a garganta tensa, trêmula, gastada. Vem Bethania e me arrasa. Arranca os sentimentos enquanto ando. Enquanto acotovelo a felicidade coletiva que passa ao meu lado, eu distante. Nada mais triste que estar em meio a tantos sorrisos quando todas as dores vão adentro. Vai-se fora.
assim, um de cada vez; quando firmo o pé mãos na cintura: quem eu quiser? um personagem uma miragem uma pose, retrato qualquer... imagem, crio ao mundo assim, palavras a gosto um beijo no rosto sorriso descrever é morrer do próprio juízo