domingo, 29 de março de 2009

Bette Davis eyes

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{ imagem apropriada do blog papel de enrolar prego ; foto: júlio paiva}


Ela disse, embora eu só tenha tomado conhecimento muitos dias depois: estava num portal, num tubo transitório – e ainda estou. Como sei que nenhuma palavra faria justiça às profundezas escavadas em mim, meu amor agradecido vai pela tão falada telepatia.


Em todo caso, agradeço os afagos, comparto as saudades; contradom meu carinho.

Digo: veio a mim como um flash de todos os nossos abraços.


"Dai-me a mão,
querida

Para que sobre ela
eu possa cravar
o beijo da minha amizade.

Felicidades no limiar
do teu ciclo particular"


(Rita Brum, num afagar íntimo de há muito)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

óbvia sentida; ululante despedida

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O olho de última
Já se foi o camarão pela corrente
- Um desavisado resistente -
Distraídas [idas idas idas idasssss]
Já tenho adiante uma porta aberta
Já tenho comigo um coração que aperta
Batidas

{foto: júlio paiva ; figura esfusiante: bruuuum}

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

voltar

Um silêncio de tanto tempo pode ser mortal
Afaga à faca meus olhos
Por um beijo lacrimal
O lugar é um desesperado infectar de instantes
Trajes infantes colocados a perder
Um momento fora o bastante, embora anseie repetir o antes
O que foi morreu em ser
Um hiato de tanto tempo pode formar duas palavras
Quando parte em duas toadas
desiguais
As ruínas ardem por um reencontro delirante
O gosto escapa torturante
Inútil a busca espacial

Um silêncio fumegante;
Um silêncio de tanto tempo pode ser fatal

terça-feira, 25 de novembro de 2008

clássico dos híbridos



essa é uma referência à hibridação;

e esse é o assunto do meu momento cerebral.

{também é uma homenagem ao meu querido amigo Jimmy Adja}

para saber mais sobre hibridação:

García Canclini. Néstor. 1992. Culturas Híbridas. Estrategias para entrar y salir de la modernidad. Buenos Aires: Sudamericana. Pág. 191-327.

ARCHETTI, EDUARDO. “Hibridación” In Masculinidades. Fútbol, tango y polo en la Argentina. Buenos Aires: Antropofagia. 2003. Parte 1. Pág. 47-112.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

metonímias e sinédoques

-

- Rita, que vês?

- (…) metonímias e sinédoques.

- precisamente?

- (...) algo. híbrida de carne e osso.

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- Fast-pop-image nas alturas!

- Glória a Blog, senhor!

- Palavra de Orkut!

- Graças à Net!


{foto: Júlio Paiva ; Edição: Raquel Queiroz ; diálogo: Ruth e Raquel}



domingo, 9 de novembro de 2008

funk da estranha

Cantarolava algumas estrofes delirantes, enquanto o sábado capitulava minha volta da aula. Meio funk, meio algo; eu dizia a quem passava, sem sentido, ou bem sentido, nada sério, mas com toda seriedade.

funk da estranha (mais uma criaçao ou invenção ou desatino de Rita)
Está entre as más / Porque gosta de ser / Odeia as boazinhas / Que fingem lhe querer
Porque é uma farsa / É uma ficção / Esse bom tratamento / É uma convenção
Palavras educadas / Palavras como ‘dom’ / Palavras expressadas/ Obrigam ‘contra-dom’
Parece espontâneo / Parece natural / Mas tudo é coordenado / Para passar igual
Meninas bonitinhas / Usando o usual / Meninas boazinhas / Escondem bem seu mal
Hécate Hécate / Hécate Hécate
Tum tum tum tum tum
Vai sorriso / Vai abraço / Vai beijinho / Vai pedaço (bis)
Refrão:
menina estranha / difícil de entender / gosta de confundir / quem tenta lhe prever
menina malvada/ porque gosta de ser / desconsertar o jogo / desconcertar você (bis)
Vai estranha / Vai malvada / Vai distante / Vai calada (bis x7)

referência bibliográfica
YUDICE, George. 2002. “La funkización de Río” in El recurso de la Cultura. Barcelona: Gedisa. Pág. 137- 166 y 235-260.
MAUSS, Marcel. 1991 [1923-24]: “Ensayo sobre el don” in Sociología y Antropología. Ed. Tecnos, Madrid.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

de pensar morre uma galinha {ou 1979}

É dinâmico, esporádico, me passa, me escapa: os tais códigos sociais! Os tais choques cerebrais: tenho engrenado demasiado todos os raciocínios lógicos brasileiros, lógicos estrangeiros, lógicos argentinos e (...) PERSÉPOLIS! deslumbrada e pérsica: tão Marjane, trago Tigre e Eufrates; trago os limites, todos de existência, todos de ciências – políticas, antropológicas, sociológicas, históricas, geográficas! Lá estava 1979; sha caindo, todos os conflitos étnicos do mundo e eu... nascendo! Eu, os carneiros astrais e a República Islamica do Irã! Lanço-me pelo espaço social e físico, nada contém o dragão; trago tudo pela garganta, e não cuspo. Um dia vai-me em fogo pela boca, a cabeça já esquenta. Fun-din-do. De tanto pensar morre uma galinha, explode, e não voa, cisca e gora o ovo. Para o bom pensar é bom um doce: óleo para todas as estruturas, combustível para impulsos cerebrais! Ativar: forma de computador de gelo! Que queimem os dedos pelo toque frio das teclas. Ou que voem, voem; um salto ao menos mais que a mulher do galo. De pensar morre uma galinha, mas também ao passar por cima o fitito clássico maravilhoso. Quando atravessava a rua distraída.


...


Um dia, ali, pelo Irã. MAKTUB! Está escrito. Mas que se atente ao histórico local e às etnografias; o Irã não é um país árabe.



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{fotos: Júlio Paiva; montagem minha}

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

à mola

É o espiral contínuo, da minha sina espiralada. Espiral torbellino, espiral fio de telefone. Vertical, horizontal, diagonal - é o ciclo espiralado, esse padrão de ser; a alegria e a amargura em uma mesma fração de tempo. Oscilo, canso desse eterno contínuo descontínuo. E, é inútil fugir, está – ademais do juízo – em todas as partes. Está no percurso do pirocóptero, no fluxo da água pelo ralo, nos cabelos da Ceiça, no fusili, no movimento da poeira na calçada, na fita da ginasta. É espiral o que falta nos meus apuntes, más há no meu caderno; no caminho da agulha da radiola deixada em Fortaleza, no pirulito colorido deixado na infância. Um furo pode causar um espiral, essa é uma boa razão para se ter escapes! É o símbolo exato da confusão, da tontura, do desmaio... Um pouco de Persépolis, um pouco de Bordieu. Desvios, do meu leve estrabismo, da minha leve escoliose, do meu leve desalinho de costelas. Desvio, porque não é reincidente perfeito, posto que ainda que o eixo seja fixo, há um ligeiro deslocamento de trajetória, a variáveis. A incertezas. Incertitumbres... Uma mola por uma pausa! Pois os dias se vão a espirais!

Esse, definitivamente, é o relato de quem não tem segunda-feira, mas também não tem sábado, nem domingo. Está num eterno contínuo descontínuo de uma, digamos, quarta-feira. No meio da mola, no meio do indo, eterno meio da semana, ¡que miércoles! Assim se lança à rua o eufemismo de uma velha expressão. Um respiro permitido. De escape. E de sapatos.

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domingo, 5 de outubro de 2008

el amor que se emana, a la luz se hermana

Habría lo que escribir, habrían palabras y hechos.
Empero la vida ha traído el tiempo de otras cantigas,
De silencio y repecho

Ahora me toca el dolor y aún más el respeto,
Por los dolores de mis queridos, más grandes
Que el mío que traigo en el pecho

Mis manos los tocan al aire
Al aire, mis sentimientos echo


{a su memoria y aliento. si el cariño tangible a los míos, la distancia se me niega darles, mi abrazo hace forma aquí, aunque el tacto fuera, ahora, inmensurablemente ineludible}

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

vão adentro, vão as pernas

As pernas, bambas. A luz da primavera, das sete horas, âmbar. Eu volto em caminhadas densas. Eu tenho a garganta tensa, trêmula, gastada. Vem Bethania e me arrasa. Arranca os sentimentos enquanto ando. Enquanto acotovelo a felicidade coletiva que passa ao meu lado, eu distante. Nada mais triste que estar em meio a tantos sorrisos quando todas as dores vão adentro. Vai-se fora.

E, então, o anteparo é vão; e o chão, ausente.