[para ser lido na profundidade do parto, sílaba a sílaba a sílaba a letras cadenciadas. e pontos e ritmos e nadaS. e ao som de ce matin la - air; inundar-se]
Viva cada palavrinha elaborada e nascida [com pedaços de carne e lambuzada de sangue]. De mim saem vísceras. Cada vez que me sento (frente ao office).
Para estar viva, minha guerra é entre o vazio e o cheio acumulado. O lindo musicar da mais profunda arquitetura. Vertida a palabra, é trégua. Da náusea que precede.
E que luxo arrancar-se.
Deixa um gosto extra-menta na boca; sabor sangue mentolado.
{música qu[músic (música que escolhi para assombrar aos que me sobreviverão - música-testamento) quando não seja mais]quando não seja mais palavra} quando morrer, essa música fará um funeral estupendo. e então descansarei lisonjeada.
"(...)Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida."
Sim, só palavras. Funis, palabras. Um vocabulário restrito para uma avalanche de abstratos! Tantos abstratos correm, derramam, queimam...arde não dar vida, viva o pensamento que verteu palavra. Angústia que antecede o dito – respiro, recolho, quase páro – e explodo os dedos, locutores preferidos. E dizer é pedra, no olho que olha a 180º, rasante, com piscar escasso, alertíssimo enquanto aberto, seco, duro, ovo. Um ovo por dia: não há sentido (em) qualquer palavra. Por isso a dor, o silêncio de escrita quase obriga o silêncio verbal – EM MIM – por dios! Que difícil permitir um EU num texto, num canto, no mEU canto protegido, defendido, recuado. Ter que dizer em trilhos, bulas, castelos e viagras. Conter paixões arrebatadas; pelo vermelho vivo do querer dizer escarlate, calar, medir, REpresa. O silêncio incomoda, a multidão comenta; mas há uma conversa transparente a olhos que buscam não mais que pedras. Converso com o sol: sussurra amarelinho, esse sol tão temperado, meio ovo poché. Ovo, como como seja - Menos cru – mole, cozido, poché, mexido, omelete, frito. Frito! Como sol dos trópicos, mEU sol ardente, fogo, oleoso, incêndio, alegre. Palavras são só palavras, ainda que quando ausentes. Mas – pensando exaustivamente – como suportar guardá-las? Delas, coleções. Aqui as tenho, descontroladas. Portanto se derramam às vezes, tantas, vulcônicas e exageradas. Um lance de extremos; gotas ou tempestade.
É domingo e faz frio, a temperatura cái. Caem as cinzas pelo cinzeiro, aquele assunto da fumaça e das moléculas, expansão, teorias e enigmas. Alternativas para escolher um filme para intrigante e casual domingo: possibilidades de sites, de gêneros, de obras, de tramas, do que se vê em cada história, corpos, vozes, infelizes traduções. Análises combinatórias, UM, 2, três por quantas variáveis. Por quantas vidas, chances, caminhos; outra vez essa mesma reza, que cruza tantas vezes o pensamento asa de fim de semana desejoso de perder-se em celas desenhadas. As asas – asasas: me perco com as letras e os rearranjos – da borboleta supracitada e referida tantas vezes. Às vezes os idiomas se cruzam, ou se trespassam, batem asas para uma manera de dizer. E se diz de variáveis formas, o que se escolhe dizer. Ou quando. Ou nem. Quando uma palavra asa ventila ouvidos de outros hemisférios quem haverá de escutar? Compartilhadas em facebook? Música vitrine no msn, curioso imaginar o ambiente ao qual invade, perfuma, de sons, sínteses e silêncios. Ou em que estado animado se escuta, se interpreta, entende, recebe. Porque às vezes o que se canta não é o que a caixa de som reproduz e por sua vez, não é necessariamente o que o ouvido capta. Às vezes um canal está prejudicado, graves, agudos distorcidos. O conteúdo é outro. Telefone sem fio, revisito as lembranças: o projeto da lata com barbante dos escoteiros mirins [nós tinhamos a coleção mas não o tal relógio-brinde-por-completá-la. E bom que não, já que éramos 3 e eu a última da cadeia alimentar de coisas – e não de afetos, porque se diz que o último concentra mais esse amor repartido homogeneamente pela convenção que impede aos pais declarar uma predileção ou empatia. Está condenado a amar igual, embora acredite que não se ame nunca nada nem ninguém de maneira idêntica]. Tolices de domingo, bárbaro que então nos dediquemos a uma história alheia a reservar os proprios monstros para o travesseiro. Poi as segundas-feiras – dias de monstros cansados de fim de expediente, deles – são dias de precipício ao certo já estabelecido pelas sextas, pelas quintas, quartas, terças... mais difícil de mudar. As moléculas em contração buscam o ponto exato da encruzilhada. Porque me inclino a concordar que há sempre uma encruzilhada arrependida por supostas decisões equivocadas, razão da seriedade delas, das asas, dos microacontecimentos. Esse blá que por acaso havia de escutar outra vez, vez que fosse num novo filme online pelo site que ao acaso se guardou em marcadores tais por disponibilizar filmes com legendas, ainda que mal traduzidas. A história que se quer ver é vista, os olhos desenham a esse rigor.
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[foto: júlio paiva]
As palavras em português aqui escolhidas nascem de teclados configurados para espanhol: misturadas as moléculas, os contornos desatados. Novos arranjos na matriz; é sentido tempo irreversível [fagocita, meu amor, fagocita].
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Quando morrer serei um compêndio de janelas, abertas aparentemente de modo aleatório – vão -, a ventos oriundos de um misterioroso sopro. [1,2,3, testando ecos, emissão, recepção. Alguém haverá de atender à coincidente loucura]. Ou se quer dar por recebido, acaso é que se leia dizeres tolos de domingo. Cheiro de colônia: efemeríssimo suspiro de uma débil existência.
Rasteiras; para dias ingênuos, os sopros das trevas arrastam as pernas distraídas, os corpos desavisados, as almas cochiladas. Cara-contra-chão. A multidão é riso, descansa, pois se premia tempo. A multidão compete, passa à frente, de nada adianta a fricção do carrinho detido pelas mãos da criancinha. A criancinha detém o brinquedo a gosto, no chão desliza, depois o guarda. O sopro das trevas malditas arrasta por caminhos vãos; caminhos de terra fugazes, basta a mão, pequena que seja. Basta um sopro, um respiro, de pulmões pouco notáveis. Desorganiza, desanda, desunera.
Se admitem tantos ditos sobre o tempo; dos outros, são teorias. Das vidas outras, textos, conselhos, análises. Por ver, murcham-se plantas, um olho obeso, guloso, ou tantos. Olhos atentos, vampiros sim que existem. As invejas me roubaram filhos, as inocências são enfim ciladas. Um dia sentada ao sol, queimadas as cores, as dores, morri. Não sentia o medo delicioso, esse arriscado, de “assim mesmo”, de “mesmo assim”. De tudo temo, de tudo “assim mesmo” enfrento, por tanto desejo de não saber-me morta. Não. Não será por tão simples razão e pouco importam as superestimadas interpretações preguiçosas. Para ler, saber: as palavras pouco dizem. Atenção a de se dar às não-palavras; o que se diz é menos do que aquilo que não se há de dizer nunca. Aí reside o mais lindo mistério, o refrão vivente, a obscuridade, a caverna sombria dos nefastos e maravilhosos sentimentos embriões. Selvagens e descorteses, são sentimentos de quarto, processos de banheiro, íntimos.
Meus olhos caverna fundos de poços tão profundos delatam. Develam. Ponho as mãos sobre tais crateras. Enquanto pensam no meu choro – ou inclusive se é choro ou sono ou dor ou drama, fingimentos – protejo minhas janelas das tempestades. Porque ouvi dizer que virá grave tormenta desde mares traiçoeiros. Tudo é no mínimo confuso. Cheiro de chuva, sou do nordeste. Meus avós, sobreviventes.
Ruth: Rita, por onde andas?
Rita: Escondidinha, meio invisível, quase apagada. Talvez ainda pelo caminho, talvez em muitos começos, talvez em lugar nenhum, sabe, sem muito a dizer, acho.
Ruth: Acho que sempre há algum drama iminente, não? Essa nossa tripolaridade nos atrapalha um pouco.
Rita: Nem sempre, talvez seja só um ponto de equilíbrio. O drama nutre.
Ruth: Não sei. Essa é uma forma de viver muito complexa. E me sinto meio à parte, às vezes, nesse tripé. Rita: Não tens sofisticação bastante para o ridículo, para a maldade, para a trama, para o drama. O 3 persiste, manhã, tarde e noite ; 3 irmãos; 3 amigas; 3 moedas; 3 estados físicos... É só um padrão. Ruth: 3 capítulos; 3 terços, 3 pessoas da santa trindade... É certo, mas nesse, sou uma pata frouxa. Ou de desencaixe. Escapes, espirais logarítmos, números primos, alguma explicação quântica? Rita: Acho que no fundo estamos só um pouco cansadas.
Ruth: Acho que essa formação dual, ambígua e alterna - manual / virtual - nos tem sobrecarragado. Rita: Demasiado sentido comum!
Ruth: Apenas não imagino minha vida escolar com tanta tecnologia. Tive aula de datilografia! 3 gerações. 3 recorrente. Ferramenta demais, poder demais. Um perigo. E uma sorte de onipresença ou presença alguma. Rita: Besteira. Nenhuma ausência é totalmente isenta de presença. E o mesmo diria ao revés.
“Porque estamos donde no estamos”
(Jean Tardieu en Bachelard, 1975: 250)
Referencia bibliográfica
BACHELARD, Gastón. 1975. La poética del espacio. Buenos Aires: FCE.
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[uma fita de cetim basta para partir ao meio uma lagarta]
Esse silêncio são tiros, estrondos, disparos. risos nervosos, vertigens, tosses, catarros. diarréias, apneias, fastios; enjôos, escarros, cansaços. Ora vejam, tantos dias omissos, não há perdão. Então, OK, vamos pelo drama. Mas também não há razão para encher vazios, perdidos os cegos ao acaso. Tiroteios: correr então? Se não há luz, melhor o chão. Deitados os tiros passam desimpedidos, cortando não mais que ventos, a carne não. Refugiar-se na lama, na grama, na fossa. Os fossos podem salvar. Escudos, que salvem a pele, a pele a cubrir os ossos, os ossos a engendrar o corpo, o corpo a organizar a alma, a calma a aquietar o medo, o medo dos mesmos disparos, estilhaços na escuridão. Um cego em meio a tantos olhos; um cego, para tantas possíveis balas. Há balas que vem de ontem, das marcas mal apagadas. As marcas dos desjuízos, latindo pelos estragos; de frente, qualquer estranho, a performance de um bom soldado. Contrata-se um bom menino, vestido de bons sapatos. Cabelos são bons currículos, roteiro seguido, impulsos [a custo e a graça] controlados. De frente a qualquer estranho, vontade de romper o plano, fazer ridículo, morrer de rir, inapropriadamente. De nada vale o compromisso, horas certas, cara engomada, se o cego suplica o olho, se o olho não lhe serve nada. De tanto fugir das balas, vontade de agarrar valente, com a testa na contra-mão. Depois não haverá ESSE silêncio, nem ESSA quietude, nem ESSAS esperas. Cessam-se os zelos de comportamento, os constrangimentos, as perseveranças. Pode ser que se instaure um BOM silêncio, de calmaria, sereno, limpo, silêncio boa gente. Embora não creia muito nesse silêncio plácido, livre de esquizofrenias e branco [ou preto, ausência de luz]. Pois bem, – enfim, portanto e não se dê tantas voltas ao camarada já esteja este tão perdido – há um cego, um tigre e uma multidão de olhos. Ou mais justo, um cego [sem eufemismos] vários rifles e algumas soluções escritas, diagramadas, desenhadas, a qualquer idioma, gráfico, óbvio, explícito... que não em braile! Um vidente não fará falta para adivinhar o bonito fim. Ainda que tantos panfletos inexplicavelmente cheguem às mãos em péssimas horas. Não fará falta nenhuma arte ou gene ou espiritualidade ou super inteligência para saber os desenlaces. Ou revelar um mistério tão óbvio e sem sentido como esse. Por isso, tantos e tantos e tantos e tantos papéis evitados.
Eram os últimos dos últimos, dentre todas as coisas. Mas ela já se despedia há dias. Olhava, comia, tocava. Como mais uma vez engarrafasse os meses estrangeiros na terra natal. Roubava afetos, digitais, marcas, arranhões. Por ir tão fundo, se perdia, se derramava, se espraiava; demoraria a juntar-se outra vez. De vez, caiu da árvore. Era o sapoti apodrecido na geladeira, tão difícil de encontrar nessas épocas. Havia de comer, antes de ir, assim como as papaias, as tapiocas, os mariscos, as castanhas, os sucos, a televisão. Coisas que não vão na mala e alargam mais o vão desmedido do coração que parte sem aviso de volta. E nunca se volta de verdade. Além dos movimentos tectônicos, transtornos naturais, reformas urbanas, revoluções sociais, também mudam as pessoas, morrem e nascem outras todos os dias. Engolidas por clones de si mesmo, passam para trás o que foram, o que já enjoaram de ser, a refugar-se. E aí, depois já são novos diferentes e nunca mais aqueles que cruzaram numa velha esquina sobrevivida por certa tormenta ou algo do tipo. Nunca se sabe onde o buraco rasgará o chão; onde um larga bens, deixa a alma aprisionada. Ela se fragmentava pelo mundo em cartões, colchões, colheres sujas. Roupas esquecidas em varais alheios, de terras passageiras, de ruas, esse movimento nômade eterno. Depois, reunir, difícil. E difícil é reunir os sentimentos em convulsão, espasmos, delírios, gritos, sangue freado e imediatamente atirado pela jugular. Assim é que certas coisas, pensou, podem dizer tangente, como se fosse o próprio dito da própria garganta. Uma economia de verbo, rezas e masturbações emocionais. Ela encontra em outros pulsos intersecções dessa morte parecida.
"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível" Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
"E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania." Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
"As cidades, como as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas." Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
“Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem”. Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
Pois então, apenas superfície. Cores e formas, alguma sentença, alguma farsa, roupas, adornos, bronze do sol. Digo, admito, às vezes demais. Depois já está dito, gritado, expandido, expelido, externado e ainda repetido entre dentes e facebooks. Uma alma tão pouco serena necessita alguns estragos verbais. Mesa é assunto, trago é conversa. Coisa séria é só capricho. Depende do figurino. Principalmente da roda, dos olhos, dos ouvidos. Por onde conduz a dialética, caminhando, derivando e derivas, por onde and... Ando na praia feito água viva, arrastando o rosa envenenado, doida para queimar alguma pele inadvertida. Ando baixo sol de trópicos traiçoeiros, de mancha amarelada quebrando com as ondas. [Contaminação ou algas esse blá?] Pois então, andante, falante; apenas pele, bronze, cores e formas. Película da água viva, na iminência de estourar. Meio transparente, meio esteticamente atraente, meio ambiente natural. Meio de mentira, parece plástico, mas ao toque se convence; verdade, verdade e algo dolorosa, porque queima, pagar para saber. E queimada a pele está, mas de sol, loucas melaninas. Só do sol, cores e formas; trevas e fogueiras dia e noite. Prazer de praia e arrependimento de língua. De tudo se erra quando de tudo se diz. Mas a cicatriz é branda, sofrida é a espera de uma ferida latente. É viva, arde, vivíssima. Viva toda.
Ela olhou para todos os passados. Espalmava a mão nas pastilhas brancas do lavabo, para vibrar frio, tal quais as pedras, para nada e para tudo, aqueles passados não escolhidos. Porque o passado que vinga é o escolhido, resta apenas curiosidade pelos que não. Torceu as pernas; essa curiosidade e fome, problemas de saciar. É marginal esse rebusco, delírios de vertentes. E então nada mais, como uma morte desavisada. E então, ver. Ver, imaginar, reter a pá dos olhos, cinzas de encontros e desencontros perdidos no nada mais. Ninguém poderá entender e nada poderá ser dito. Porque são segredos, porque são proibidos, porque são delitos. Gavetas fechadas, labirintos desistidos. O sol arde sobre o cadáver, assim como o mar bate entre pernas abandonadas. Ela deixou ser vista, somente da carne para fora. E se arrisca porque sabe que a dúvida é estratagema. Só por olhos seria revelada. E portanto os larga, criminosa. Aprisiona-se, em conhecidos calabouços.
assim, um de cada vez; quando firmo o pé mãos na cintura: quem eu quiser? um personagem uma miragem uma pose, retrato qualquer... imagem, crio ao mundo assim, palavras a gosto um beijo no rosto sorriso descrever é morrer do próprio juízo