Morocco & Spain from Mike Matas on Vimeo.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
justa(e)posta
sábado, 16 de outubro de 2010
para celebrar elefantes mortos
Os dias despetalam enquanto corro. Apenas toco pétala a pétala sem passar os dedos. Fibras vão. Retratos, automóveis, escadas, textos, resultados (!) – abstratos quase sempre. Quase colapsos además, reinvidico-me extremos. De pensar morro sentada, com termos, cores e tocas, dessacralizando o pensamento, ou os pensamentos transversais. Alinhando, deflorando idiomas alheios, ponho palavras em caixas de ovos. A mão socorre o rosto: apoia pelo queixo, alisa o topo, comprime as bochecas pálidas, oculta os estragos. Mão cortina. Os olhos mais cansados, o corpo se avisa menos tolerante. Ainda não sinto pólen a enfadar-me o nariz. Mas são dias de outubro, sobram não mais que dedos na garrafa. [Tempranillo] Quase fim de ano, quase fim de todos os ciclos importantíssimos. Cumprir-los? Redenção. São plumas sob costas exaustas; como num sábado, findar-se ao travesseiro.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
sabor sangue mentolado
e ao som de ce matin la - air; inundar-se]
O lindo musicar da mais profunda arquitetura.
Vertida a palabra, é trégua. Da náusea que precede.
E que luxo arrancar-se.
quando morrer, essa música fará um funeral estupendo. e então descansarei lisonjeada.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
orações desesperadas a caio
Caio Fernando Abreu
Carta ao Zézim
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
solzinho ovo poché
Sim, só palavras. Funis, palabras. Um vocabulário restrito para uma avalanche de abstratos! Tantos abstratos correm, derramam, queimam...arde não dar vida, viva o pensamento que verteu palavra. Angústia que antecede o dito – respiro, recolho, quase páro – e explodo os dedos, locutores preferidos. E dizer é pedra, no olho que olha a 180º, rasante, com piscar escasso, alertíssimo enquanto aberto, seco, duro, ovo. Um ovo por dia: não há sentido (em) qualquer palavra. Por isso a dor, o silêncio de escrita quase obriga o silêncio verbal – EM MIM – por dios! Que difícil permitir um EU num texto, num canto, no mEU canto protegido, defendido, recuado. Ter que dizer em trilhos, bulas, castelos e viagras. Conter paixões arrebatadas; pelo vermelho vivo do querer dizer escarlate, calar, medir, REpresa. O silêncio incomoda, a multidão comenta; mas há uma conversa transparente a olhos que buscam não mais que pedras. Converso com o sol: sussurra amarelinho, esse sol tão temperado, meio ovo poché. Ovo, como como seja - Menos cru – mole, cozido, poché, mexido, omelete, frito. Frito! Como sol dos trópicos, mEU sol ardente, fogo, oleoso, incêndio, alegre. Palavras são só palavras, ainda que quando ausentes. Mas – pensando exaustivamente – como suportar guardá-las? Delas, coleções. Aqui as tenho, descontroladas. Portanto se derramam às vezes, tantas, vulcônicas e exageradas. Um lance de extremos; gotas ou tempestade.
domingo, 29 de agosto de 2010
naval blue
domingo, 22 de agosto de 2010
o olho que desunera a não-palavra cala
Rasteiras; para dias ingênuos, os sopros das trevas arrastam as pernas distraídas, os corpos desavisados, as almas cochiladas. Cara-contra-chão. A multidão é riso, descansa, pois se premia tempo. A multidão compete, passa à frente, de nada adianta a fricção do carrinho detido pelas mãos da criancinha. A criancinha detém o brinquedo a gosto, no chão desliza, depois o guarda. O sopro das trevas malditas arrasta por caminhos vãos; caminhos de terra fugazes, basta a mão, pequena que seja. Basta um sopro, um respiro, de pulmões pouco notáveis. Desorganiza, desanda, desunera.
Se admitem tantos ditos sobre o tempo; dos outros, são teorias. Das vidas outras, textos, conselhos, análises. Por ver, murcham-se plantas, um olho obeso, guloso, ou tantos. Olhos atentos, vampiros sim que existem. As invejas me roubaram filhos, as inocências são enfim ciladas. Um dia sentada ao sol, queimadas as cores, as dores, morri. Não sentia o medo delicioso, esse arriscado, de “assim mesmo”, de “mesmo assim”. De tudo temo, de tudo “assim mesmo” enfrento, por tanto desejo de não saber-me morta. Não. Não será por tão simples razão e pouco importam as superestimadas interpretações preguiçosas. Para ler, saber: as palavras pouco dizem. Atenção a de se dar às não-palavras; o que se diz é menos do que aquilo que não se há de dizer nunca. Aí reside o mais lindo mistério, o refrão vivente, a obscuridade, a caverna sombria dos nefastos e maravilhosos sentimentos embriões. Selvagens e descorteses, são sentimentos de quarto, processos de banheiro, íntimos.
Meus olhos caverna fundos de poços tão profundos delatam. Develam. Ponho as mãos sobre tais crateras. Enquanto pensam no meu choro – ou inclusive se é choro ou sono ou dor ou drama, fingimentos – protejo minhas janelas das tempestades. Porque ouvi dizer que virá grave tormenta desde mares traiçoeiros. Tudo é no mínimo confuso. Cheiro de chuva, sou do nordeste. Meus avós, sobreviventes.
sábado, 15 de maio de 2010
extrapolando tripolaridades
Rita: Escondidinha, meio invisível, quase apagada. Talvez ainda pelo caminho, talvez em muitos começos, talvez em lugar nenhum, sabe, sem muito a dizer, acho.
Ruth: Acho que sempre há algum drama iminente, não? Essa nossa tripolaridade nos atrapalha um pouco.
Rita: Nem sempre, talvez seja só um ponto de equilíbrio. O drama nutre.
Ruth: Não sei. Essa é uma forma de viver muito complexa. E me sinto meio à parte, às vezes, nesse tripé.
Rita: Não tens sofisticação bastante para o ridículo, para a maldade, para a trama, para o drama. O 3 persiste, manhã, tarde e noite ; 3 irmãos; 3 amigas; 3 moedas; 3 estados físicos... É só um padrão.
Ruth: 3 capítulos; 3 terços, 3 pessoas da santa trindade... É certo, mas nesse, sou uma pata frouxa. Ou de desencaixe. Escapes, espirais logarítmos, números primos, alguma explicação quântica?
Rita: Acho que no fundo estamos só um pouco cansadas.
Ruth: Acho que essa formação dual, ambígua e alterna - manual / virtual - nos tem sobrecarragado.
Rita: Demasiado sentido comum!
Ruth: Apenas não imagino minha vida escolar com tanta tecnologia. Tive aula de datilografia! 3 gerações. 3 recorrente. Ferramenta demais, poder demais. Um perigo. E uma sorte de onipresença ou presença alguma.
Rita: Besteira. Nenhuma ausência é totalmente isenta de presença. E o mesmo diria ao revés.
foto: júlio paiva
montagem: júlio paiva / raquel queiroz
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Um cego, vários rifles e algumas sinalizações gráficas
[uma fita de cetim basta para partir ao meio uma lagarta]
Esse silêncio são tiros, estrondos, disparos. risos nervosos, vertigens, tosses, catarros. diarréias, apneias, fastios; enjôos, escarros, cansaços. Ora vejam, tantos dias omissos, não há perdão. Então, OK, vamos pelo drama. Mas também não há razão para encher vazios, perdidos os cegos ao acaso. Tiroteios: correr então? Se não há luz, melhor o chão. Deitados os tiros passam desimpedidos, cortando não mais que ventos, a carne não. Refugiar-se na lama, na grama, na fossa. Os fossos podem salvar. Escudos, que salvem a pele, a pele a cubrir os ossos, os ossos a engendrar o corpo, o corpo a organizar a alma, a calma a aquietar o medo, o medo dos mesmos disparos, estilhaços na escuridão. Um cego em meio a tantos olhos; um cego, para tantas possíveis balas. Há balas que vem de ontem, das marcas mal apagadas. As marcas dos desjuízos, latindo pelos estragos; de frente, qualquer estranho, a performance de um bom soldado. Contrata-se um bom menino, vestido de bons sapatos. Cabelos são bons currículos, roteiro seguido, impulsos [a custo e a graça] controlados. De frente a qualquer estranho, vontade de romper o plano, fazer ridículo, morrer de rir, inapropriadamente. De nada vale o compromisso, horas certas, cara engomada, se o cego suplica o olho, se o olho não lhe serve nada. De tanto fugir das balas, vontade de agarrar valente, com a testa na contra-mão. Depois não haverá ESSE silêncio, nem ESSA quietude, nem ESSAS esperas. Cessam-se os zelos de comportamento, os constrangimentos, as perseveranças. Pode ser que se instaure um BOM silêncio, de calmaria, sereno, limpo, silêncio boa gente. Embora não creia muito nesse silêncio plácido, livre de esquizofrenias e branco [ou preto, ausência de luz]. Pois bem, – enfim, portanto e não se dê tantas voltas ao camarada já esteja este tão perdido – há um cego, um tigre e uma multidão de olhos. Ou mais justo, um cego [sem eufemismos] vários rifles e algumas soluções escritas, diagramadas, desenhadas, a qualquer idioma, gráfico, óbvio, explícito... que não em braile! Um vidente não fará falta para adivinhar o bonito fim. Ainda que tantos panfletos inexplicavelmente cheguem às mãos em péssimas horas. Não fará falta nenhuma arte ou gene ou espiritualidade ou super inteligência para saber os desenlaces. Ou revelar um mistério tão óbvio e sem sentido como esse. Por isso, tantos e tantos e tantos e tantos papéis evitados.
segunda-feira, 1 de março de 2010
os últimos últimos
"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível" Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
"E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania." Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
"As cidades, como as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas." Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)
“Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem”. Caio Fernando Abreu (pequenas epifanias, aplicativo do facebook)